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O Golpe de 1964 e a necessidade de vigilância democrática

por Sérgio Fonseca, diretor da Secretaria de Formação Política do SindsprevPB

O golpe militar de 1964, que depôs o presidente eleito João Goulart, foi um dos episódios mais graves da história política brasileira. Sob o pretexto de combater o comunismo, setores das elites nacionais e militares, com apoio dos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, interromperam a democracia e instauraram um regime autoritário que durou mais de duas décadas.

A repressão política, a censura e a tortura marcaram profundamente esse período, deixando cicatrizes na sociedade brasileira. Contudo, a transição para a democracia ocorreu sem a devida responsabilização dos autores desses crimes, principalmente por causa da Lei da Anistia de 1979.

A ausência de punição permitiu que ideias autoritárias sobrevivessem ao longo do tempo. Décadas depois, discursos de exaltação da ditadura reapareceram com força durante o governo de Jair Bolsonaro, que chegou a elogiar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O ponto mais alarmante dessa escalada foi a tentativa de ruptura institucional nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando grupos radicais atacaram as instituições democráticas do país.

A história demonstra que a democracia precisa ser constantemente defendida. Recordar e condenar o golpe de 1964 não é apenas olhar para o passado, mas reafirmar o compromisso de que rupturas autoritárias jamais devem voltar a ocorrer no Brasil. A memória histórica e a vigilância democrática são instrumentos essenciais para impedir que os erros do passado se repitam.